Pinturas murais

A Trindade

<i>A Viergem da Pentecostes</i>, 1966. Oleo sobre tela
A Viergem da Pentecostes, 1966. Oleo sobre tela
<i>Apresentação da Virgem ao Templo</i>, 1966. Oleo sobre toile
Apresentação da Virgem ao Templo, 1966. Oleo sobre toile


Estudo sobre a Trindade
Estudo sobre a Trindade

É só no contexto da pintura mural sagrada que Morgan-Snell pode revelar plenamente seu senso da composição, a amplidão de sua imaginação criativa e a forma épica de seu espírito. Em 1960, de modo unânime, a comissão de Belas Artes de Paris confiou a Morgan-Snell a execução de duas pinturas murais de seis metros de altura por quatro de largura para a capela marial da igreja da Trinité. Esses paneis foram transferidos em 1992 para a igreja Saint-Michel dos Batignoles. Pela primeira vez uma encomenda desse porte é feita a uma mulher. Morgan-Snell escolhe como tema da apresentação da virgem ao templo e Pentecostes.

Para La Présentation de la Vierge au Temple, a artista se inspirou de descrição do local feita na lenda dourada: para alcançar o altar dos holocaustos do lado de fora do templo, nas montanhas, era preciso subir quinze degraus equiparando aos quinze salmos graduais. Morgan-Snell explica sua obra: « Eu mostrei a mãe de Cristo, na apresentação ao templo, sob a aparência de uma menina subindo em direção dos grandes padres; só, designada por um halo de fogo, situando-a acima da humanidade e dos outros personagens presentes. Nesta composição, todos os olhares estam primeiro voltados para a virgem, mas eu gostaria que os olhos baixassem também para as outras figuras: cada uma tem uma razão profunda, uma presença e contem um símbolo», e o padre da igreja acrescenta « todas as forças do mundo vêm se submeter com alegria a essa frágil jovem».

Estudo coloridos para a Trinité
Estudo coloridos para a Trinité

La Vierge de la Pentecôte , esta composição de vinte quatro m², representa a virgem gloriosa cercada de seus apóstolos encarregados do divino poder de propagar a fé. Da esquerda a direita: um mongol com vestido de seda amarelo simboliza a Ásia, uma jovem mulher, incarnação do amor materno, devota seus três filhos ao culto da Mãe de Cristo, jorramento de um chafariz, a agúa é simbolo de purificação, o homem e seu mensageiro são as forças terrestres, uma mulher negra e seu filho imploram a divina proteção e um Índio de peito atlético traz o tributo ao continente americano. No dia 9 de março de 1966 uma cerimônia oficial na igreja da Trinité foi organizada para a inauguração das duas pinturas murais com discurso do reverendo Padre Riquet, em presença de varias personalidades.

Estas obras tiveram um grande sucesso e muitas reportagens na imprensa, rádio e televisão.



Os seqüestradores do Mar

<i>Os seqüestradores do Mar</i>, 1958. Oleo sobre toile
Os seqüestradores do Mar, 1958. Oleo sobre toile

<i>Os seqüestradores do Mar</i> no Palais des congrès da cidade de Sables d'Olonne
Os seqüestradores do Mar no Palais des congrès da cidade de Sables d'Olonne

Em 1956 o Ministério dos Correios encomenda a Morgan-Snell uma pintura mural destinada a sede dos Correios da cidade de Les Sables d’Olonne; ela atinge dez metros de largura e dois de altura e é intitulada Les Ravisseurs de la Mer, finalizada em 1958. Esta obra é composta de três paineis. A artista compõe uma cena ilustrando a rude vida dos pescadores. No bacia do porto, em frente à torre Arundel, à direita um barco a vela, à esquerda um navio de ferro e em toda parte, homens em pleno esforço, seus braços, suas costas, todos os seus musculos tensos ao extremo; é uma bela homenagem a coragem e a bravura desses homens para os quais luta e o perigo constituem o cotidiano. As anatomias são gigantescas e lembram os titãs mitológicos. O domínio da execução, um incontestável senso dramático concorrem ao resultado bem sucedido de uma composição perfeitamente adaptada ao seu quadro e ao seu objeto. Este painel decora o Palais des Congrès Les Atlantes na cidade de Les Sables d’Olonne. Este afresco foi a peça chave da exposição do mês de abril de 1958 na galeria Bernheim-Jeune. Durante a inauguração Morgan-Snell explica: ela não é « inspirada da Antiguidade, ela é moderna, e eu a adaptei conforme a atmosfera do porto de Sables. Evoquei, acrescenta a artista, por ter ido ao local, entre os pescadores: o retorno das redes, o trabalho do porto, a vida marítima.» Robert Rey, autor do prefácio do catálogo dirá desse superrealismo: « O que são estes seres que esticam até a explosão das aponevroses, até o rompimento das articulações? Os escravos de galera? Os puxadores dos barcos? Não, são os titãs vencidos, condenados por algum decreto divino como Sísifo castigado a trabalho sem fim. » Esta admirável composição é um meio moderno de ver a realidade. A Torre de Arundel se eleva de forma majestosa no meio do afresco fazendo com que a paisagem pareça um estado de humor. Esta obra é animada por um sopro épico. Ela tem efeitos de cores e um traço de bela distinção. Encontramos no Ravisseurs de de la Mer, o vigor e o ardor que caracterizam a grande artista, Morgan-Snell sabe criar a faísca sem a qual a pintura se torna uma coisa.


<i>Os seqüestradores do Mar</i> (detalhe)
Os seqüestradores do Mar (detalhe)
<i>Os seqüestradores do Mar</i> (detalhe)
Os seqüestradores do Mar (detalhe)


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